OS CORREIAS EM 1258
José Mattoso mencionou os Correias neste parágrafo relativo ao turbulento período de 1240-1245[1]:
A bula (de deposição de Sancho II) deve ter causado uma enorme perturbação no Reino. Os nobres dividiram-se.
Abril Peres do Lumiar, que já devia viver com os seus homens de armas numa
situação de quase independência, na Beira Alta, organizou um grande exército,
que atacou o valido do rei, Rodrigo Sanchas de Soverosa, em Gaia. Estavam com
ele o tio do rei, Rodrigo Sanches, e senhores da família dos Correias e dos
Toronhos. A presença dos Correias é importante, porque significa, provavelmente,
que Paio Peres Correia, o influente Mestre da Ordem de Sant’Iago, que nessa
altura combatia na Andaluzia, devia estar contra D. Sancho II, como de resto
era de esperar, dadas as instruções que o papa tinha enviado às ordens militares.
Os Correias viveram então o momento de mais destaque da sua
história.
Na Nobreza Medieval
Portuguesa, afirma também José Mattoso[2],
a certo passo, que, pela mesma altura, os Correias aparecem a apor a sua
assinatura ao lado da do monarca.
A conquista de parte do Alentejo, nos últimos anos da década
de 1230 e a do Algarve por D. Paio Peres Correia – esta em 1242 -, o contributo
dos Correias para a ascensão de D. Afonso III ao trono, o que D. Paio Peres
Correia tinha feito em Castela, mormente na tomada de Sevilha, mesmo a participação
doutros irmãos dele nessas campanhas contra os mouros do sul de Península, tudo
isso seria conhecido em 1258 na família e até para além dela e estará por trás
do destaque que os Correias têm nas inquirições desse ano. Além disso, estas
inquirições são muito diferentes das anteriores e davam azo a que se olhasse
mais para o passado.
[1] História de Portugal, vol. II, pág. 570,
publicada pelas Selecções do Reader’s Digest sob a direcção de José Hermano
Saraiva.
Manuel López Fernandez não crê na proximidade política
de D. Paio Perse Correia com D. Afonso III excepto nos anos finais da vida do Mestre
de Santiago.
[2] No
ano lectivo de 1967-1968, fui aluno de José Mattoso, que então ainda não era
professor universitário nem tinha adquirido a fama merecida de grande
historiador.
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