A INQUIRIÇÃO DE 1258

Em 1258, Paio Peres Correia era um homem célebre em Portugal e Castela. Teria já mais de 50 anos e deveria residir em Uclés, donde administrava a poderosa Ordem de Santiago. Mas, uma vez por outra, não deixaria de recordar a sua terra natal de São Pedro do Monte e os tempos de infância e juventude que lá passara. Veja-se o que escreveram sobre essa terra os inquiridores desse ano:

"D. Mendo, abade da dita igreja, jurado e interrogado, disse que El-Rei não é padroeiro, mas tem aí o seu reguengo, a saber, o monte da Saia, delimitado pela porta da cidade de Lenteiro, a seguir pela pedra que está entre o reguengo e a senra, a seguir pela Fonte Peolhosa, a seguir vai pela Valo do Capítulo até à Bouça, a seguir até ao Fojo Lobal, a seguir pela porta da Ventosa.

Do reguengo agora nomeado, metade é de El-Rei e dão dele a El-Rei a quarta parte do pão e quem aí trabalhar dá um capão com 20 ovos; e chamam o mordomo de El-Rei para recolher o pão.

Disse que nesta colação não dão a El-Rei fossadeira, nem peitam voz e coima, nem entra aí o mordomo de El-Rei, nem há aí foreiros ou honras novas.

Disse que cavaleiros e ordens nada aí adquiriram recentemente.

Disse que não fazem nem fizeram nenhum foro a El-Rei porque é honra antiga de D. Paio Correia.

Pêro Vermudes, João Peres, Gonçalo João, Domingos Martins, Martinho Peres, Paio Peres, jurados e interrogados, disseram em tudo e por tudo como o Abade D. Mendo".

Alguns destes homens ainda se lembrariam do jovem neto do distante Paio Correia. 

Curioso que o abade D. Mendo, que deveria ter sido apresentado pelos senhores de Fralães, só tenha considerado o cimo do monte.

Imagem – Original da inquirição de 1258 sobre São Pedro do Monte.



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